Radio Macau: 43 anos no ar, uma última emissão no Coliseu do Porto
REPORTAGENS
16 OUTUBRO 2026

RÁDIO MACAU

Radio Macau: 43 anos no ar, uma última emissão no Coliseu do Porto
Quarenta e três anos depois de entrarem no ar, os Radio Macau continuam a fazer parte da banda sonora de várias gerações. No Coliseu do Porto, “Elevador da Glória” e “O Anzol” marcaram uma das noites de uma contagem decrescente que terminará em 2027, quando a banda encerrar a sua história.

No concerto de ontem, no Coliseu do Porto, os Radio Macau voltaram a dar voz a canções que atravessaram gerações. Com o fim da banda anunciado para 2027, “Elevador da Glória” e “O Anzol” estiveram entre os momentos altos de uma noite que soou a celebração de uma história iniciada em 1983.

Há estações de rádio que nunca deixam verdadeiramente de emitir. Mudam os tempos, mudam os ouvintes, mudam as canções que passam, mas certas vozes permanecem na memória coletiva. Os Radio Macau são uma dessas frequências. Desde 1983, fazem parte da banda sonora de várias gerações e, ontem, no Coliseu do Porto, voltaram a provar que há canções que não perdem sintonia com o tempo.

Com o fim da banda anunciado para 2027, cada concerto ganha inevitavelmente um significado diferente. Não é apenas mais uma oportunidade para revisitar um repertório conhecido: é também um encontro com uma história que se aproxima do seu último capítulo. E, numa sala cheia, a música falou mais alto do que qualquer ideia de despedida.

Uma frequência que atravessa gerações

O alinhamento percorreu diferentes momentos da discografia dos Radio Macau, num percurso de 21 temas que foi construindo a narrativa da noite. De “Logo se Vê” a “O Hábito Faz o Monstro”, de “Amanhã é Sempre Longe Demais” a “Levo-me no Voo das Minhas Asas”, o concerto recuperou canções que continuam a ocupar um lugar próprio na música portuguesa.

Seguiram-se temas como “Entre as Memórias e o Sonho”, “É Tão Fácil”, “De Azul em Azul” e “90 Metros”, antes de a viagem passar por “Quebra de Atenção”, “Acordar”, “Cidade Fantasma” e “Bom Dia Lisboa”. Um repertório que não vive apenas da nostalgia: são canções que permanecem reconhecíveis e que encontram, no reencontro com o público, uma nova oportunidade para serem ouvidas.

A segunda metade do alinhamento prosseguiu com “Um Dia a Mais”, “Entre a Espada e a Parede”, “De Volta ao Espelho”, “Guarda a Faca”, “A Última Gota de Mim”, “Cantiga de Amor” e “Aos Meus Amores”. Mas foi na aproximação ao final que a emissão ganhou particular intensidade.

“Elevador da Glória” e “O Anzol”: o sinal fica mais forte

“Elevador da Glória” e “O Anzol” foram os momentos altos do concerto. Duas canções que ajudaram a elevar a noite e a concentrar, em poucos minutos, muito daquilo que torna o repertório dos Radio Macau tão reconhecível.

Quando uma banda chega a este ponto da sua história, há temas que deixam de pertencer apenas a quem os escreveu ou interpretou. Passam a pertencer também a quem os ouviu pela primeira vez, a quem cresceu com eles e a quem continua a encontrá-los em diferentes momentos da vida. É nesse território, entre a memória individual e a memória coletiva, que estas canções ganham outra dimensão.

No Coliseu do Porto, o alinhamento aproximou-se do fim, mas o público ainda não estava preparado para desligar o rádio.

Duas emissões extra

A banda regressou para dois encores. Primeiro, “Era uma Vez” e “A Vida Num Só Dia”. Depois, “Hoje é a Brincar” e “Macau” fecharam o alinhamento.

Quatro temas para prolongar uma noite que, perante o horizonte de 2027, não poderia ser apenas mais uma data no calendário. Os encores deram espaço a mais um reencontro com canções que fazem parte da identidade dos Radio Macau e ajudaram a prolongar a ligação entre a banda e uma sala que encheu para a ouvir.

Não é preciso transformar cada música num adeus para perceber o peso deste momento. Basta olhar para o percurso que começou em 1983 e para tudo aquilo que estas canções continuam a representar. O anúncio do fim aproxima inevitavelmente a despedida, mas não apaga o que foi construído ao longo de 43 anos.

Ainda no ar

Uma estação de rádio encerra quando deixa de transmitir. Mas há emissões que continuam muito depois de o sinal desaparecer: ficam nas canções, nas vozes que as reconhecem e nas memórias que voltam sempre que os primeiros acordes regressam.

Os Radio Macau ainda não chegaram ao fim da sua história. Esse momento está anunciado para 2027. Mas o concerto no Coliseu do Porto foi mais um capítulo de uma contagem decrescente que torna cada reencontro mais precioso.

Quarenta e três anos depois de entrarem no ar, continuam a existir razões para sintonizar esta frequência.

E, enquanto houver quem carregue no play, a emissão nunca será verdadeiramente interrompida.