Placebo no Porto: uma noite para lembrar, não para gravar
REPORTAGENS
29 SETEMBRO 2026

PLACEBO

Placebo no Porto: uma noite para lembrar, não para gravar
Os Placebo regressaram ao Porto para uma noite marcada pela política phone free, pela estreia ao vivo de “Helen Keller”, novo single lançado no próprio dia, e por um final apoteótico ao som de “Running Up That Hill”, de Kate Bush.

“You’ll remember the moment, not the recording.” A frase que acompanhou a noite em que os Placebo regressaram ao Porto acabou por definir um concerto vivido longe dos ecrãs — e marcado por uma estreia absoluta.

Há concertos que ficam guardados no telemóvel.

E há concertos que ficam guardados na memória.

Na noite em que os Placebo subiram ao palco da Super Bock Arena, a mensagem era clara: “You’ll remember the moment, not the recording.”

A banda optou por um concerto phone free, numa decisão que está longe de ser novidade para Bryan Molko. O vocalista dos Placebo tem sido particularmente interventivo na questão da utilização dos telemóveis durante os concertos e, desta vez, a mensagem foi levada até às últimas consequências.

Depois de ser avisado, um espectador continuou a filmar. Molko voltou a intervir e indicou que o homem fosse retirado da sala. A situação acabou por deixar bem claro que, naquela noite, o objetivo era simples: estar presente.

Sem ecrãs levantados.

Sem procurar o melhor ângulo para as redes sociais.

Apenas o concerto.

30 anos de Placebo

E havia muito para ver.

A Placebo 30th Anniversary Tour levou ao palco uma viagem pela história da banda, revisitando temas que ajudaram a construir a identidade dos Placebo desde o seu primeiro álbum.

“Pure Morning”, “Come Home”, “You Don’t Care About Us” e “Teenage Angst” abriram caminho para uma setlist profundamente ligada aos primeiros anos da banda.

Seguiram-se “Bionic”, “Without You I’m Nothing”, “Allergic (to Thoughts of Mother Earth)”, “36 Degrees”, “I Know”, “Scared of Girls” e “My Sweet Prince”.

Depois, “Lady of the Flowers”, “Bruise Pristine”, “Nancy Boy” e “Every You Every Me”.

Uma sequência que atravessou diferentes momentos da carreira dos Placebo, mas que encontrou particular força na recuperação de temas que fazem parte da memória de várias gerações de fãs.

Helen Keller

Mas a noite não viveu apenas do passado.

No próprio dia em que foi lançado, “Helen Keller” chegou ao palco.

O novo single dos Placebo foi tocado ao vivo pela primeira vez, transformando o concerto do Porto no primeiro momento em que a nova canção deixou de pertencer apenas ao universo da gravação para passar a fazer parte da experiência de um concerto.

Foi uma estreia absoluta.

E aconteceu precisamente numa noite em que os espectadores eram convidados a não gravar.

Não havia vídeos para rever minutos depois.

Não havia centenas de telemóveis a captar o momento.

Para quem estava na sala, “Helen Keller” aconteceu uma única vez.

Mais perto do público

A relação entre Bryan Molko e o público também teve momentos de particular proximidade.

Durante “I Feel You”, a versão dos Depeche Mode que integrou o encore, Molko desceu ao fosso para cumprimentar alguns dos fãs que tinham chegado mais cedo e que estavam junto ao gradeamento.

Por alguns instantes, a distância entre o palco e a primeira fila desapareceu.

Depois de “Every You Every Me”, chegou “I Feel You”.

E faltava apenas o momento final.

Running Up That Hill

Para fechar a noite, os Placebo escolheram “Running Up That Hill (A Deal With God)”, o clássico de Kate Bush.

O resultado foi um final apoteótico.

Uma sala inteira entregue à música, depois de uma noite em que a banda tinha pedido precisamente isso: que o público deixasse o telefone de lado e estivesse realmente presente.

E talvez tenha sido essa a melhor forma de terminar.

Porque quando as luzes se acenderam, não havia centenas de vídeos para percorrer.

Havia apenas aquilo que cada pessoa levou consigo.

Uma canção nova ouvida pela primeira vez.

“Pure Morning”.

“Without You I’m Nothing”.

“Every You Every Me”.

Bryan Molko no fosso.

“Running Up That Hill”.

E a memória de uma noite que não ficou registada nos telemóveis.

Ficou nas pessoas.

You’ll remember the moment, not the recording.