Sem recorrer a grandes artifícios, o quarteto portuense fez exatamente aquilo que sabe fazer melhor: criar um ambiente descontraído, próximo e familiar. Entre conversas, sorrisos e boa disposição, foi construindo um concerto onde a simplicidade acabou por ser uma das maiores forças da noite.
Ao longo de cerca de hora e meia, desfilaram alguns dos temas mais emblemáticos da banda. “Quem És Tu Miúda”, “Anda Comigo Ver os Aviões” e “Ray-Dee-Oh” transformaram-se rapidamente em enormes coros, acompanhados por um recinto completamente preenchido e por um público que conhecia cada palavra.
A ligação com Leça da Palmeira também não passou despercebida. Em vários momentos, os músicos fizeram questão de sublinhar o prazer de atuar naquela que apelidaram, com humor e carinho, de “a terra mais bonita de Portugal”, arrancando aplausos espontâneos dos milhares de espectadores presentes.
Mas foi nos instantes finais que chegou o momento mais marcante da noite.
Longe da energia contagiante dos grandes êxitos, os Os Azeitonas escolheram despedir-se de Leça da Palmeira com “Angelus”, uma canção profundamente simbólica que homenageia o autocarro que, durante anos, transportou a banda e toda a equipa técnica de concerto em concerto. Um verdadeiro companheiro de estrada que acabou por se tornar parte da identidade do grupo.
À medida que a música avançava, cada elemento da banda aproximava-se, um a um, do microfone, interpretando uma parte da canção. Sem protagonismos, todos tiveram voz naquele último tema, num momento simples, íntimo e carregado de significado, que contrastou com a alegria contagiante que marcou grande parte do espetáculo.
O concerto terminou precisamente à meia-noite, dando depois lugar ao tradicional espetáculo de fogo de artifício das Festas de Sant’Ana. As cores iluminaram o céu de Leça da Palmeira perante um parque completamente cheio, encerrando uma noite onde a música, a proximidade da banda e a forte adesão do público voltaram a confirmar o sucesso de mais uma edição das festas.