Depois de um sábado marcado pela energia dos ritmos urbanos e da música eletrónica, o segundo dia do Festival da Comida Continente apresentou um alinhamento distinto, pensado para reunir diferentes gerações num ambiente onde a música voltou a ser protagonista.
Desde as primeiras horas da tarde, o Parque da Cidade do Porto voltou a receber milhares de visitantes. Famílias, grupos de amigos e curiosos dividiram o tempo entre as experiências gastronómicas e os vários palcos espalhados pelo recinto, numa edição que voltou a provar que a música é hoje um dos pilares do festival.
No Palco Continente, Sara Correia foi uma das primeiras artistas a subir ao palco, levando consigo a intensidade e a autenticidade do fado contemporâneo. Num registo intimista, mas de enorme presença, conquistou o público através de interpretações carregadas de emoção, criando um dos momentos mais marcantes da tarde.
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O ambiente transformou-se com a entrada de Anselmo Ralph. Os seus temas, há muito adotados pelo público português, fizeram ecoar milhares de vozes pelo recinto. Entre baladas e canções mais ritmadas, o artista angolano voltou a demonstrar a facilidade com que estabelece uma ligação direta com quem o acompanha.
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Quando chegou a vez de Tony Carreira, o Parque da Cidade atingiu um dos pontos altos do fim de semana. Com um repertório que atravessa várias gerações, o cantor foi recebido por um público que conhecia praticamente todas as letras. O concerto acabou por assumir um carácter quase celebrativo, com milhares de pessoas a cantar em uníssono, num daqueles momentos que definem a dimensão de um grande festival popular.
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A noite prosseguiu com os Santamaria, que recuperaram alguns dos temas mais marcantes da música de dança portuguesa. A combinação entre nostalgia, espetáculo visual e sonoridades eletrónicas voltou a mostrar porque continuam a ocupar um lugar especial na memória coletiva de várias gerações.
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O cartaz do dia ficou ainda enriquecido pelas atuações de Álvaro D’Kastro e Zé Amaro, dois artistas que trouxeram diferentes sonoridades ao festival e contribuíram para um alinhamento pensado para agradar a públicos muito distintos.
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Mais do que um conjunto de concertos, o segundo dia confirmou a capacidade do Festival da Comida Continente para reunir artistas de estilos muito diferentes num mesmo espaço, mantendo sempre uma forte adesão do público. Ao longo de todo o dia, a música serviu de ponto de encontro entre gerações, acompanhando um ambiente descontraído que se prolongou até ao encerramento do festival.
Terminada mais uma edição, fica a sensação de que o Festival da Comida Continente continua a crescer muito para além da sua vertente gastronómica. A comida permanece o motivo que lhe dá nome, mas são os concertos, a partilha e o ambiente vivido no Parque da Cidade que acabam por marcar a memória de quem por ali passa.
Bárbara Costa | Tiago Barbosa