O Festival da Comida Continente regressou ao Parque da Cidade do Porto para mais uma edição e, apesar de continuar a assumir a gastronomia como principal cartão de visita, bastaram poucas horas para perceber que, para milhares de visitantes, o verdadeiro menu era outro: a música.
Desde o início da tarde, o recinto foi enchendo de famílias, grupos de amigos e curiosos que percorriam as dezenas de espaços gastronómicos espalhados pelo parque. Mas, à medida que o sol começava lentamente a descer sobre a marginal portuense, os olhares passaram naturalmente a convergir para os palcos.
A programação musical do primeiro dia revelou uma aposta diversificada, capaz de juntar públicos muito diferentes. O ambiente descontraído do Sambinha do Zé aqueceu o Palco Arraial, enquanto Sons do Minho levaram as sonoridades tradicionais portuguesas a um público que não hesitou em cantar e dançar. A irreverência de Rosinha trouxe o humor popular que já lhe é característico, funcionando como uma verdadeira celebração da música popular portuguesa.
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No palco principal, o ambiente mudou completamente de registo.
Mizzy Miles abriu caminho para uma noite marcada pelos ritmos urbanos. Com uma produção cuidada, batidas pesadas e uma comunicação constante com o público, o produtor português confirmou porque continua a ser um dos nomes mais relevantes da música nacional. O recinto respondeu de imediato, transformando o Parque da Cidade numa enorme pista de dança.
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Pouco depois foi a vez de MC Livinho assumir o protagonismo. O artista brasileiro trouxe toda a energia que lhe é reconhecida, misturando funk, pop e uma forte interação com o público. O concerto foi um dos momentos mais aguardados da noite e correspondeu às expectativas, mantendo milhares de pessoas completamente rendidas ao espetáculo.
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A fechar o primeiro dia surgiram os Karetus, especialistas em elevar a intensidade de qualquer festival. A dupla portuguesa entregou um concerto visualmente forte, sustentado por eletrónica de alta energia, efeitos visuais e um ritmo praticamente impossível de acompanhar sem dançar. Foi o encerramento ideal para um dia em que a música acabou por assumir um papel tão importante como qualquer showcooking ou experiência gastronómica.
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Mais do que um simples alinhamento de concertos, o Festival da Comida Continente voltou a demonstrar que evoluiu para um evento multidisciplinar, onde gastronomia, entretenimento e música coexistem naturalmente. A entrada gratuita continua a ser um dos grandes fatores diferenciadores, permitindo reunir públicos muito distintos num ambiente familiar, inclusivo e descontraído.
Se a comida continua a justificar a visita, a verdade é que, ao cair da noite, era difícil encontrar alguém que não estivesse de olhos postos num palco. E isso diz muito sobre aquilo em que este festival se transformou ao longo dos últimos anos.