Resistência transforma o Coliseu num clássico de início de ano

Resistência transforma o Coliseu num clássico de início de ano

O Concerto de Ano Novo voltou a reunir vozes, memórias e cumplicidades num Coliseu do Porto em permanente estado de comunhão.
O Concerto de Ano Novo voltou a reunir vozes, memórias e cumplicidades num Coliseu do Porto em permanente estado de comunhão.

Concerto de Ano Novo da Resistência já não é apenas um espetáculo: é um ritual. No Coliseu do Porto, a banda voltou a cumprir a tradição de abrir o ano musical com um concerto que é tanto de celebração como de reencontro. Entre canções que atravessam décadas da música portuguesa e histórias contadas com humor e proximidade, a noite foi construída numa relação direta e cúmplice com o público — como só a Resistência sabe fazer.

Desde cedo ficou claro que este seria mais um concerto vivido de pé, mesmo quando as cadeiras insistem em lembrar que estamos sentados. Entre temas emblemáticos e versões reinventadas, cada música foi antecedida por pequenas apresentações feitas por um dos elementos da banda, escolhido quase ao acaso, reforçando o lado informal e próximo que caracteriza estes concertos.

Um dos momentos mais divertidos da noite surgiu com o anúncio de Se Te Amo, dos Quinta do Bill. Ao recordar uma banda de Tomar que entrou num concurso de bandas em meados de 1986 e cuja música é particularmente acarinhada no Porto, bastou a deixa para que o Coliseu, em uníssono, começasse a cantar “estes são os filhos do Dragão…”. Tim não resistiu ao sorriso antes de esclarecer: “Pois… mas não é essa.”

Miguel Ângelo aproveitou uma das pausas para reforçar uma ideia que parece já fazer parte da identidade do projeto: os concertos que iniciam as tournées da Resistência começam sempre no Porto. E deixou ainda no ar a promessa de regresso, apontando já 23 de janeiro de 2027 como data reservada, declaração recebida com aplausos imediatos pela plateia.

Musicalmente, o concerto teve vários picos emocionais. Aqui ao Luar e Ao Pé de Ti levaram o Coliseu ao rubro, sem exceções: não houve quem ficasse sentado, num daqueles momentos em que a sala inteira canta como se fosse uma só voz. Já em Que Parvo Que Eu Sou, dos Deolinda, a Resistência voltou a quebrar a quarta parede, convidando um par do público a subir ao palco para dançar, transformando a canção num instante de festa partilhada.

Entre clássicos, histórias e sorrisos cúmplices, a Resistência voltou a provar porque este Concerto de Ano Novo é mais do que um simples espetáculo: é um encontro anual com a memória coletiva da música portuguesa, vivido com o coração bem aberto — e, quase sempre, em pé.

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