Rui Veloso transforma 45 anos de carreira numa noite histórica de emoção e celebração

Rui Veloso transforma 45 anos de carreira numa noite histórica de emoção e celebração

Entre memórias, afetos e canções que fazem parte da identidade de um país, Rui Veloso celebrou 45 anos de carreira num concerto intenso e profundamente emotivo. Acompanhado pela Banda Sinfónica da GNR e por convidados especiais, o músico ofereceu uma noite onde a música, o Porto e a família se fundiram num aplauso interminável.
Entre memórias, afetos e canções que fazem parte da identidade de um país, Rui Veloso celebrou 45 anos de carreira num concerto intenso e profundamente emotivo. Acompanhado pela Banda Sinfónica da GNR e por convidados especiais, o músico ofereceu uma noite onde a música, o Porto e a família se fundiram num aplauso interminável.

Rui Veloso pode não ser grande apreciador de datas ímpares, mas a verdade é que os 45 anos de carreira mereciam — e tiveram — uma celebração à altura. Num concerto especial, pensado ao detalhe, o chamado pai do rock português subiu ao palco para uma noite que foi muito mais do que um simples alinhamento de canções: foi uma celebração da música, da memória e das emoções.

Logo no início, Rui Veloso brincou com a efeméride, confessando preferir números pares — 44 ou 46 soam-lhe melhor do que 45. Ainda assim, reconheceu que, “a esta altura, devemos celebrar todos os anos, só por cá andarmos”. E foi exatamente esse espírito de gratidão e celebração que marcou toda a noite.

Um dos grandes destaques do concerto foi a presença constante de John Beasley, convidado especial que acompanhou Rui Veloso ao longo da atuação, acrescentando novas camadas sonoras a um repertório já de si intemporal.

Outro protagonista incontornável da noite foi a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, composta por cerca de 50 músicos, alvo de elogios rasgados por parte de Rui Veloso. O músico não escondeu o seu entusiasmo e admiração pela qualidade e entrega da formação, sublinhando o impacto que esta teve no resultado final do espetáculo.

Também a sala mereceu palavras sentidas. Rui Veloso confessou que, no início, não nutria grande entusiasmo pelo espaço, mas assumiu estar agora totalmente rendido, considerando-o mesmo uma das melhores salas do país. Num momento particularmente genuíno, partilhou com o público:

“Não imaginam o que é estar aqui, depois de ter estado com um som que me pôs mais surdo do que estava e, agora, estar na mesma sala, que mais parece uma sala de estar, a ouvir um disco. Um disco que, ainda por cima, é meu… Parabéns a quem fez esta tremenda obra!”

A emoção atingiu o auge com “Porto Sentido”, tema que levou a sala ao rubro. Uma canção que Rui Veloso nunca se cansa de cantar — e o público nunca se cansa de ouvir — pelo significado profundo e pela ligação visceral à cidade e às suas gentes. “Portugal é a minha casa, mas o Porto é o meu regaço”, afirmou, arrancando aplausos sentidos.

O concerto teve ainda um caráter profundamente íntimo, com a família de Rui Veloso espalhada pela plateia — irmãos, sobrinhos e até sobrinhos-netos — num ambiente de orgulho e cumplicidade que se fez sentir dentro e fora do palco.

Entre os muitos momentos altos, destaque para “Elétrico Amarelo”, a última canção que Rui Veloso compôs com Carlos Tê e que nunca chegou a ser editada, e para o impressionante solo de clarinete do Maestro Ricardo Torres, da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, em “Sayago Blues”, que deixou boquiabertos músicos, banda e público.

Para encerrar o alinhamento principal, Rui Veloso brindou a plateia com “A Paixão”, uma interpretação carregada de sentimento, capaz de tocar memórias pessoais e afetivas — daquelas que ligam a música às pessoas que levamos connosco para sempre.

O público respondeu com uma ovação em pé, obrigando a um encore inesperado. Fora do setlist, mas perfeitamente enquadrada na época, surgiu “Presépio de Lata”, lembrando que o Natal já espreita e que a música de Rui Veloso continua a fazer sentido em qualquer tempo.

Foi uma noite grande, emotiva e elegante — como a carreira que se celebrou.

Setlist

Fanfarra Olímpica (apenas Banda Sinfónica da GNR)
A Rapariguinha do Shopping
Cavaleiro Andante
Não Queiras Saber de Mim
Bairro do Oriente
Jura
Nunca Me Esqueci de Ti
Fado Pessoano
Canção de Alterne
Porto Côvo
A Veia do Poeta
Porto Sentido
Primeiro Beijo
Não Há Estrelas no Céu
Lado Lunar
Chico Fininho

Encore:
Já Não Há Canções de Amor
Elétrico Amarelo
Todo o Tempo do Mundo
Sayago Blues
A Paixão

Galeria completa em