No dia 2 de outubro, Os Azeitonas subiram ao palco do Coliseu do Porto para celebrar um marco especial: os seus 20 anos de vida musical. A proposta era simples, mas ambiciosa — fazer da festa com o público uma homenagem viva a uma trajetória marcada por canções, memórias e cumplicidades.
Um começo com percalços e promessa
A noite não começou sem percalços. Um protesto pró-Palestina ocorrendo simultaneamente na baixa do Porto provocou congestionamentos nos acessos ao Coliseu, atrasando o início do espetáculo. Mas quando as luzes finalmente se apagaram (ou quase), a receção calorosa do público deixou claro que valia a espera.
O concerto abriu-se com uma cena curiosa: Marlon Brandão, Nena Barbosa e João “Salsa” Salcedo entraram com as luzes da sala ainda acesas, num diálogo descontraído com quem estava ali como parte da história deles. Falando de “outros tempos”, evocaram os primeiros grandes momentos da banda — “Sinto-me em mim”, “Zão”, “Sílvia Alberto” — antes de saírem para, em cena, reaparecerem já de fato e prontos para a celebração.

Festa, cumplicidade e convidados
A partir desse momento, o espetáculo evoluiu para algo mais do que um concerto: foi uma festa com partilha, alegria e interação constante entre palco e plateia. Os Azeitonas entregaram ao público o que é seu por direito: canções que atravessaram gerações, arranjos celebratórios e momentos que despertaram nostalgia e entusiasmo.
Não faltaram os convidados — à semelhança das expectativas previamente geradas — para dar ainda mais textura ao evento. Estiveram presentes nomes como À Toa, Miguel Araújo, Rui Veloso, Tatanka e Bruno Vieira (entre outros). Cada um trouxe um sopro adicional de memória, pertencimento e emoção, reforçando o sentido comunitário da festa.
O concerto — relativamente breve para uma carreira de duas décadas — teve ainda um duplo encore. A banda foi instada a regressar ao palco mais uma vez, presenteando o público com um punhado de temas extras que permitiram alongar, ainda que por pouco, a celebração.









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Algumas reflexões finais
Se houve algo que ficou claro no final da noite foi o sentimento de satisfação: uma celebração sincera, com intensidade, mas talvez com vontade de mais. Para muitos, soube a pouco — porque é difícil comprimir 20 anos numa só noite. E talvez isso seja um elogio mais forte do que qualquer crítica: quando o público quer que o espetáculo dure mais, é sinal de que se sentiu verdadeiramente envolvido.
Que este seja apenas um entre muitos festejos futuros. Venham mais 20 anos de canções, encontros, cumplicidades e música com alma.