Na noite morna de uma Leça da Palmeira em festa, os Not All Tails subiram ao palco com a mesma entrega e paixão de sempre, mesmo perante uma plateia mais reduzida do que o habitual. O concerto integrou a programação das Festas de Sant’Ana, num regresso simbólico à terra que os viu nascer – e onde continuam a escrever, em acordes e versos, a sua história.
A data – a meio da semana – e a infeliz coincidência com a final da Taça Cândido de Oliveira, que colocou frente a frente o Sporting CP e o SL Benfica, ajudaram a justificar a menor afluência de público. Mas quem lá esteve, estava por eles. E não arredou pé.
As luzes ténues, o fumo a pairar sobre o palco e a aura quase cinematográfica criaram um cenário envolvente, perfeito para uma atuação que foi mais do que um concerto: foi uma viagem emocional pelos temas que definem o universo sonoro da banda. Vasco da Gama, Nuno Camelo, Pedro Fidalgo e Daniel Tércio mergulharam nos seus temas mais emblemáticos — cada um deles com uma história para contar, com memórias que se adivinham nas entrelinhas.
Apesar da ausência sentida de Sofia Lourenço, a voz feminina da banda, os quatro músicos mostraram maturidade artística, preenchendo o palco com energia, talento e cumplicidade. O público — pequeno mas conhecedor — não se deixou intimidar pela multidão ausente e devolveu com aplausos e entusiasmo o que a banda oferecia em cada acorde.
Um dos momentos altos da noite foi a revelação de “Shorter Tales”, o novo trabalho em estúdio que os Not All Tails preparam com expectativa e dedicação. Ainda em fase final de produção, este disco promete aprofundar ainda mais a identidade sonora do grupo, entrelaçando storytelling e sonoridades envolventes.
A fechar, houve espaço para uma surpresa: a participação especial do saxofonista Rui Filipe, também ele filho da terra e nome bem conhecido do panorama musical nacional. Com passagens por projetos como os BAN, Perfume e, mais recentemente, Olavo Bilac, Rui subiu ao palco e elevou a experiência musical a um outro nível — numa fusão perfeita entre talento e emoção.
Mesmo longe da grandiosidade dos grandes palcos e das multidões em delírio, o concerto dos Not All Tails nas Festas de Sant’Ana foi um lembrete poderoso: a música vive, acima de tudo, da verdade de quem a cria e da intensidade com que é partilhada. E, nesse campo, a banda jogou em casa — e venceu.
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