Na passada sexta-feira, 25 de julho, o Pátio do Museu foi palco de uma noite carregada de nostalgia, identidade e boa disposição. Os Trabalhadores do Comércio, banda emblemática do rock português com sotaque do Porto, subiram ao palco numa das atuações mais marcantes das Noites no Pátio do Museu 2025 — e trouxeram consigo mais do que música: trouxeram uma história.
O concerto integrou a programação promovida pela Casa Comum, espaço cultural da Universidade do Porto, sediado na Reitoria. A Casa Comum tem vindo a afirmar-se como um polo dinâmico de partilha de saberes e promoção de atividades culturais abertas à comunidade académica e ao público em geral. Ao trazer os Trabalhadores do Comércio de volta aos palcos portuenses, reforçou a sua missão: aproximar a cultura de todos, sem barreiras nem bilhetes — sempre com entrada livre.
Um regresso com sabor especial
O momento foi particularmente simbólico com o regresso de Álvaro Azevedo, baterista da formação original, que se juntou à banda numa fusão intergeracional com Daniel Tércio, atual responsável pela percussão dos Trabalhadores. A cumplicidade entre ambos foi visível e serviu de ponte entre a memória viva dos anos 80 e a vitalidade do presente.
Este reencontro em palco acrescentou uma camada emocional ao espetáculo — especialmente para os fãs de longa data que reconhecem o peso de Álvaro na sonoridade inicial do grupo. Foi mais do que um concerto: foi um reencontro de afetos.
Clássicos que continuam a fazer história
“Chamem a Polícia” foi, como seria de esperar, um dos momentos altos da noite. O público, entoando em uníssono os versos icónicos — “Chamem a polícia (au, au, au), chamem a polícia / Que eu não pago” — transformou o Pátio num verdadeiro karaoke coletivo de resistência. Outro tema que arrancou aplausos entusiasmados foi “De manhã eu vou ao pão”, recordando que as pequenas crónicas do quotidiano continuam a ser material fértil para a música com identidade.
Sem artifícios desnecessários, os Trabalhadores mantiveram-se fiéis à estética que sempre os definiu: crítica mordaz, sotaque assumido e a capacidade de pôr o público a sorrir enquanto pensa.
Porto no coração da música
Num evento pensado para celebrar a diversidade musical e cultural, os Trabalhadores do Comércio provaram que o Porto continua a ser uma voz ativa na música portuguesa. E não apenas pelas letras que usam a gíria da Invicta, mas também pela atitude irreverente, pela capacidade de reinventar a tradição e pelo compromisso com a memória coletiva.
Num cartaz que incluiu também nomes como Conferência Inferno, BAN, Rão Kyao ou Lu Yanan, os Trabalhadores foram a ponte perfeita entre passado e presente, tradição e provocação, saudade e gargalhada.









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Final de noite com cheiro a verão e nostalgia
À medida que a noite avançava e o público ia deixando o Pátio do Museu com um sorriso no rosto, ficava a sensação de ter assistido a algo raro: um concerto onde a memória encontrou nova vida, onde a música não serviu apenas para entreter, mas também para unir.
Num verão onde tantos concertos se sucedem, os Trabalhadores do Comércio provaram que há músicas que nunca envelhecem — apenas ganham mais camadas de significado.