Rock à moda … da “Tia Manela”

Três Tristes Tigres, Clã, GNR, ZEN e Pluto. As 5 bandas nortenhas apresentaram-se em palco para o primeiro festival de Rock à Moda do Porto.

A noite era fria e chuvosa. O ambiente, húmido, convidava a um serão caseiro, mas o cartaz fazia prever uma noite em cheio. “Somos do norte, carago!”, marcamos sempre presença aos chamamentos…

A sala enchia-se de forma tímida e lenta. Ana Deus e Alexandre Soares, ex-BAN e ex-GNR respetivamente, sobem ao palco para a primeira atuação da noite. O público ia-se chegando à frente para ouvir os temas mais conhecidos, como “O mundo a meus pés“, que nunca soou no Super Bock Arena. Com meia sala apenas e alguns lugares preenchidos nas bancadas, miúdos e graúdos iam ouvindo uma sonoridade bastante diferente daquilo que se esperava. Um registo muito experimental que destoa do conceito tradicional de Rock, tal como referiu, a certa altura, a própria Ana Deus.

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Logo a seguir, apenas com tempo para mudar de roupa, Miguel Ferreira troca os tigres pelo Clã “Azevedo” e escreve-se a história da noite.

Alinhados (todos) à frente, Manuela Azevedo mostra a igualdade entre músicos. Quebra a disposição tradicional de colocar a bateria atrás, acompanhada pelo baixo, teclas e guitarra(s), dando maior protagonismo aos elementos mais “participativos” da banda. Revisitamos os temas mais conhecidos dos principais álbuns dos Clã e a força imposta pela vilacondense foi contagiante. O público, que continuava a entrar, não conseguiu ficar indiferente à energia e à entrega da banda. Foi um concerto inesquecível. Percebe-se porque têm “Problemas de expressão“, porque procuram um “H2Omem” que seja igualmente “GTI“, porque insistem em “Dançar na corda bamba” e de onde vem o tema “Asas Delta“. Manuela Azevedo e sus muchachos têm realmente asas/molas nos pés.

Depois de quase uma hora de energia eletrizante onde os 52 anos (quem diria…) da vocalista fizeram inveja a muitos de … 40!

Simplesmente brutal. Clã foi, sem sombra de dúvidas, o ponto alto da noite.

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Seguiram-se os GNR. Rui Reininho, sempre muito bem acompanhado pela dupla Toli César Machado e Jorge Romão, há muito de adotaram Rui Maia e Samuel Palito para completar a receita perfeita para concertos únicos. Nunca desiludem…

Num registo muito próprio e semelhante aos concertos anteriores (lembro o concerto de Vila do Conde), Rui Reininho impõem o seu cunho pessoal em todos os temas. Um entertainer e comunicador, o vocalista daquela que (para muitos) é considerada a melhor banda de pop rock nacional, modifica as letras intocáveis de temas como “Homens Temporariamente Sós“, “Sangue Oculto” ou “Dunas“. Dificilmente há dois concertos iguais e Jorge Romão nada mais tem a fazer senão … rir-se! É impossível acompanhar Rui Reininho; nunca se sabe o que vem a seguir!

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O público atinge o limite em termos de número de espectadores. O Super Bock Arena está meio cheio. Notoriamente, a grande maioria veio para assistir às atuações de Clã e, principalmente, GNR. Já com ZEN, banda cujo registo musical contraria o seu próprio nome, tudo mudou. Do pop rock passa-se para um rock mais pesado, embora sempre com a conivência do publico.

Novos e velhos, que perpetuam a cultura da boa música com os seus filhos, cantam em uníssono temas como “11am“, “Not Gonna Give Up” ou “UNLO“. O privilégio de fazer escolhas erradas volta a ser colocado em cima da mesa. Banhos de cerveja, mosh e outros desafios de, para e com o público (por vezes roçando o ridículo e inconsciente) fazem lembrar os bons velhos tempos da criação desta banda. Marcante na sua atitude, tal como na sonoridade, o concerto de ZEN acaba, de vez, com a fação mais tranquila de espetadores. A noite cai e o público começa a sair do recinto. O concerto termina com um tema épico que Charles Manson “roubou” aos The Beatles, foi recuperado por Bono Vox (U2) e por mais uns quantos outros músicos – “Helter Skelter“.

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A noite termina ao som de Manuel Cruz. Ornatos Violeta à parte, Pluto é a banda que junta Manuel Cruz a Peixe, Eduardo e Ruca Lacerda. Nota-se o desgaste na cara de quem já lá está desde as 19h. À frente juntam-se os amigos de Manuel Cruz e trocam-se pedidos (e piadas) pessoais. Há uma grande legião de fãs, mais novos, fazendo crer que a música portuguesa menos comercial ainda tem muito para dar. Público há, consumismo também…

Numa tentativa, por parte do público, em manter a loucura trazida por Gon (ZEN), avista-se um crowdsurf. Manuel Cruz não é tão louco como o seu antecessor e, rapidamente, a (com)postura regressa à normalidade.

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Uma noite para lembrar, essencialmente pelo concerto de Clã. Um festival que, na sua primeira edição, demonstra uma grande vontade em se tornar em mais um festival a considerar.

Parabéns à Vibes & Beats pela excelente organização.

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