Simple Minds, Como assim, já passaram 40 anos?

Depois de, em 2016, terem estado em Portugal numa versão acústica, Simple Minds regressam a Portugal

Desde 2016, num concerto acústico, que Portugal não via, ao vivo, os escoceses Simple Minds. Apenas com 3 dos elementos da formação inicial (Jim Kerr, Charlie Burchill e Ged Grimes), a banda apresentou-se reforçada. Conta agora com Sarah Brown nas vozes, Gordy Goudie nas guitarras e a maravilhosa Cherisse Osei na bateria.

21:00h e a pontualidade escocesa não é igual à britânica. O concerto começa com um ligeiro atraso de 15 minutos. De forma tranquila, a banda apresenta-se ao público sem qualquer introdução ensaiada. Alinhados na frente do palco saúdam os presentes da mesma forma como outros se despedem.

Act of Love dá o início ao melhor concerto de 2022. Segue-se I travel, Celebrate e Glitering Prize. Em Promissed you a Miracle assistimos a uma situação insólita: um fã levanta-se, tranquilamente, do seu lugar e dirige-se ao palco. Sem que ninguém o impeça, “saca” do telemóvel e começa a tirar selfies com Jim Kerr. Este, estupefacto, cerra o punho e cumprimenta-o de “soco” (como fomos já habituados por força do COVID-19). Distraído, já depois de se começar a afastar em direção à saída da sala, percebeu o gesto e voltou atrás para o cumprimento. Um espetáculo dentro do próprio espetáculo. Regressa, pouco depois, com dois copos de cerveja na mão. Mais uma vez, tem de passar em frente ao palco para regresar ao seu lugar. Aqui, deixa um dos copos a Jim Kerr que, rapidamente o pousa em cima da bateria.

Já em Book of the Brilliant Things, Sarah Brown arrepia! Uma capacidade vocal como há muito não se ouvia… Em Let There Be Love ninguém se conseguiu manter sentado. É impressionante, e contagiante, a capacidade física de Jim Kerr e dos Simple Minds.

“Mais uma música e vamos fazer uma pausa para um Porto…”, dizia-nos o líder! 15 minutos de intervalo para refrescar. A malta já não aguenta muito e é preciso recuperar fôlego.

De outfit mais informal, para uma atuação mais à vontade, apresentam-se totalmente transformados. Quase que tínhamos tido simple minds a fazer a primeira parte de … Simple Minds. A mesma banda mas um registo totalmente diferente. Mais pujante, mais eufórico, baseando as músicas nos bombos e nas guitarradas com distorção. O melhor estava reservado para a segunda metade do concerto, percebendo-se que o intervalo não serviu para descansar, mas para preparar o que viria a seguir.

Waterfront entra com uma força tal que o Coliseu quase “caiu”. Em perfeita sintonia todos, na plateia, saltaram das cadeiras e começaram a dançar. Era já a segunda vez que o público não se segurava!

She’s a River permite a Cherisse Osei brilhar com um solo de 1:30 minutos. Onde foram desencantar esta “máquina de bater” com 35 anos de idade? Ela toca, … como eu nunca tinha antes visto! Jim Kerr remata com um: “That’s what we call Girl Power!

A meio da segunda parte somos parte de uma viagem no tempo. Someone Somewhere transporta-nos para o melhor da nossa vida. Desculpem os restantes, mas quem viveu a sua juventude nos anos 90 sabe perfeitamente do que estou a falar! Pela primeira vez, os seguranças do Coliseu tiveram de pedir ao público que se voltasse a sentar… (imaginem!)

O concerto continua com 10 minutos de Don’t You Forget (about me). Se o Coliseu não caiu, jamais cairá! Mas é preciso recuperar e nada melhor do que Let it all come down.

O fim do espetáculo é anunciado ainda antes de New Gold Dream, ao mesmo tempo que outro corajoso se aproxima do palco com um vinil para o respetivo autógrafo. Mais uma vez o desejo é concretizado com Jim Kerr, em direto, a assinar o disco, elevando numas largas centenas de euros o valor daquela relíquia.

But we don’t want to go gome” ouve-se em “escocês”, ao mesmo tempo em que ecoam os tambores. Que potência, que ritmo, que brutalidade, … que maravilha… O pedal era o mesmo do início do concerto. Impressionante que, do final do espetáculo, continuava a haver tanto para dar.

O concerto acaba e o mistério do encore não surte o efeito desejado. Se o público estava desejoso pelo regresso da banda, estes estavam com mais vontade (ainda) de tocar. Primeiro com Speed of Love onde Jim Kerr dá lugar ao dueto entre a teclista – que lamentável não retive o nome – e novamente Sarah Brown e, a seguir, mais dois testes de resistência com Alive and Kicking e Sanctify Yourself.

Não há melhor forma de definir Simple Minds do que com o nome de um dos seus maiores hits de sempre: Alive and Kicking… com o público todo encostado ao palco, já não havia seguranças que conseguissem acalmar os ânimos e Jim Kerr correspondia. O concerto encerra definitivamente com Sanctify Yourself em tom de “perdão divino” pelos excessos vividos.

Sem dúvida alguma, e ainda nem a meio do ano vamos, e atribuo o título de Melhor Concerto do Ano a Simple Minds no Coliseu do Porto. A fasquia está muito alta e é impossível ultrapassá-la! Velhos são os trapos!

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