James no SBA: Até o chão tremeu…

"Boa noite Porto! Hoje vamos f*** a noite toda ... com boa música?!" Assim foi a entrada de Saul Davies, em português, no Super Bock Arena

Numa noite pouco própria para a prática musical, os James regressaram finalmente aos palcos portugueses. Depois de dois adiamentos forçados devido à COVID-19, nada melhor do que celebrar o regresso à normalidade do que com um concerto dos britânicos mais portugueses da história da Música.

O trânsito, infernal, era o resultado de um jogo importante no Estádio do Dragão (que viria a estender a passadeira vermelha da final da Taça de Portugal para o FCPorto) e do já conhecido congestionamento de final de tarde em direção a Vila Nova de Gaia.

Os acessos à cidade do Porto fazem-se, obrigatoriamente, por desvio e quelhos, entre o pára-arranca e o piso molhado (perigoso), num contra relógio stressante. A entrada no Super Bock Arena foi registada às 20:35h, depois do concerto estar previsto para 5 minutos mais cedo.

Lá dentro, com a sala já a rondar uma lotação de cerca de 7.000 pessoas, Surma estava já em palco com uma performance única. Sozinha, em cima daquele gigante palanque, atuava para uma multidão que, embora não tivesse ido para a ver, especificamente, entregou-se à qualidade sonora dos Alpes, das montanhas e dos ambientes nórdicos. Que outra forma há de definir o estilo musical de Surma, que não apenas aquele que Débora Umbelino usa para a descrever?

Os segundos a subir ao palco foram os The Slow Readers Club. Conterrâneos dos cabeça de cartaz, a sua performance foi suberba. Com um repertório de apenas 10 temas (The Wait, Youmh, Plant the Seed, All I Hear, Jericho, Forever in your Debt, Tell No Lies, Block Out The Sun, I Saw a Ghost e Lunatic). A Banda de Aaron Starkie, Kurtis Starkie, James Ryan e David Whitwort criaram o ambiente perfeito para a chegada de Tim Booth e a sua banda. Uma presença com conta, peso e medida, mostrando que há muita música de excelente qualidade para ser distribuída.

Por fim, já depois das 22h, os James entram em palco. Luzes acesas, sem qualquer encenação ou mistério, Tim Booth, Saul Davies e Andy Diagram dirigem-se ao público.

“Boa noite Porto! Hoje vamos f*** a noite toda … com boa música?!“, foi com esta frase, no português mais caraterístico da Invicta, que deram abertura àquele que viria a ser um concerto histórico. O público, contrariamente ao que se previa (por ser este o primeiro concerto “de pé” na era pós-COVID), comportou-se de uma forma extraordinária. Para quem via de cima, não havia empurrões, aglomerados e todos – já com alguma idade, por sinal – conviviam harmoniosamente. De vez em quando viam-se “corredores” que se abriam para que os copos fossem cheios novamente daquele líquido amarelado tão tradicional da nossa terra (e cuja marca da também nome ao antigo Pavilhão Rosa Mota).

Zero, Isabella e Star foram as músicas permitidas para fotografarmos. Poucas, para não variar, mas deu para perceber que o concerto não ia ficar esquecido com facilidade. Frustation, Wherever It Takes Us, Come Home, Walk Like You, Ruaground e 5-0 percederam Destiny, Gold Mother e Hymn for a Village. Depois foi tempo de Next Lover, Out to Get You, All the Colours, Many Faces, Moving On, e Beaches. Getting Away with it terminou com uma performance rítmica entre Debbie Knox-Hewson e David Baynton-Power que deixou o resto da banda … extasiado! Não havia quem não tivesse os olhos postos nesta dupla. Andy Diagram dirigiu-se, propositadamente, para uma área livre, de forma a poder, também ele, assistir ao duelo de percussão. Uma brutalidade sonora inigualável! O concerto termina com o já tradicional Sometimes. Infelizmente, a 21 de abril de 2022 não houve o tradicional crowdsurf!

Para o encore estavam programadas Bells, Laid e Attention. Contudo, apenas as duas primeiras foram entoadas.

Em todo o período em que os fotógrafos saíram do pit, assisti o concerto na lateral direita (quem está virado de frente para o palco). Como referi anteriormente, nunca senti qualquer aperto, o que me possibilitou de registar mais umas quantas fotografias. Já no encore, aventurei-me por entre a multidão que sempre dava um jeitinho para que eu passasse. No final, rodeado de fãs fantásticos, e sentindo o chão a (literalmente) abanar, decidi gravar a interpretação de Laid. Não há palavras que descrevam a grandiosidade de James. Reinventam-se a cada concerto, melhoram como o Vinho do Porto e a prova é que a banda cresceu não só em número de elementos, mas na sua qualidade que … já não era pouca!

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