MEO MARÉS VIVAS ’17

Todos os anos, com a chegada do verão, vêm também os festivais. Portugal é inundado por conjuntos consecutivos de dias, com cartazes musicais apelativos. Neste momento, está a rolar o MEO Marés Vivas, edição de 2017, na Praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia. Com um cartaz aparentemente fraco, tudo indicava que o dia ia ser calmo. Não obstante do pouco público que se fez sentir, comparativamente com os primeiros dias das edições anteriores, nada fazia prever a surpresa. O MEO Marés Vivas, para 2017, alterou os dias de espetáculo. Normalmente o evento tem presença à quinta, sexta e sábado, mas este ano quiseram que se iniciasse na sexta e terminasse apenas no domingo.

O dia começou com os Souls of Fire, uma banda de Leça da Palmeira que “acabava” de atuar na Ribeira do Porto para uma multidão de adeptos de um clube da cidade. Habituados a estas andanças trouxeram as sonoridades do Reggae para o festival MEO Marés Vivas. Para além de um novo baterista, os Souls of Fire apresentaram-se em palco com Diogo Brito e Faro. Iguais a eles próprios, não há muito a referir quanto à prestação em cima do palco.

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Diogo Piçarra entrou no palco principal cheio de força. Qual cabeça de cartaz, deixou tudo o que tinha em palco. Com um espetáculo clean, insistindo no minimalismo, provou que quem lá estava era para o ver e não para assistir a um espetáculo secundário, um espetáculo visual.

Longe vai o tempo que este grande músico venceu o programa televisivo Ídolos de 2012. Maior parte deles – os que venceram – tiveram um sucesso efémero, mas Diogo Piçarra mostrou que é muito mais do que uma produção televisiva e demonstra-o com palco de forma única. Como se de um agradecimento se tratasse, Diogo Piçarra trouxe ao Palco MEO Jimmy P para cantar “Entre as Estrelas“. De lembrar que na edição do ano passado os papéis eram invertidos sendo Jimmy P a convidar Diogo Piçarra. Seja de uma forma ou de outra o tema é um hit e o público presente provou a categoria do dueto.

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O artista que se segue é repentente. No ano passado veio ao Marés Vivas com Keane, este ano a solo. Ainda assim presenteou o público com muitos dos sucessos musicais da banda que lidera. Inicialmente com uma postura muito tímida, foi perdendo a vergonha à medida que o público reagia à sua prestação musical. “Os Bastille ainda não subiram ao palco e já vocês estão a dar tudo o que têm…” dizia. O concerto levava um rumo, mas tinha de ser quebrado… “Esta é párra a minha mulhérre” disse no melhor português que conseguiu. A promessa foi cumprida e a festa continuou.

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O momento alto do festival chegava. Os Bastille subiam ao palco com um público jovem conhecedor da setlist. Cantaram do início ao fim, daquele que foi o maior concerto da noite. Maior em qualidade, maior em duração e maior em espetáculo visual. Trouxeram uma série de ecrans e monitores onde passavam constantemente mensagens e outras informações, consoante a música. A fazer lembrar U2 na digressão ZooTV, apareciam imagens de um pivot de um noticiário que davam o mote inicial para a música seguinte. O público estava ao rubro e sem saber muito bem quando e como, o espaço estava lotado.

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Filho de peixe sabe nadar e o sucesso de que goza AGIR na atualidade revela a qualidade enquanto músico. Muito capaz de fazer esquecer a vontade de regressar a casa, conseguiu que todos (mais todas…) delirassem ao som da música. Os seus tema são conhecidos e já muito badalados pelo que não é difícil ver, em cada grupo, a maior parte a cantar.

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Edmundo Silva, com o seu projeto paralelo aos Dealema, Mundo Segundo, jogou em casa. Nascido na mesma terra que acolhe o festival MEO Marés Vivas, teve a presença dos seus conterrâneos e admiradores. Depois de assistirmos ao concerto de Mundo Segundo, percebemos que o Hip-Hop nacional ainda tem muito para dar. Há muita qualidade na música nacional, também neste estilo (talvez) menos comercial. Contudo, o espaço destinado aos espetadores do Palco Santa Casa revelou-se curto para tanta gente. Muitos assistiam ao concerto do outro lado da rua, tal era a falta de espaço. Uma agradável surpresa, num concerto simples, mas sentido.

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Os Scorpions apresentavam-se como cabeças de cartaz, mas o espetáculo dado pela banda de Marisa Liz elevou o nível do segundo dia e, mais ainda, de toda a edição do MEO Marés VivasAmor Eletro é um dos principais responsáveis pela qualidade musical neste pequeno paraíso à beira mar plantado. E para todos os que pensavam que a participação da vocalista (Marisa Liz) enquanto júri do programa “The Voice Portugal” era para promoção própria, … esqueçam! Ela não precisa (mesmo) disso. A Marisa é apenas a cara de uma estrutura bem oleada e com um nível profissional invejável. Detentora de uma capacidade comunicacional de excelência, tudo o que faz em palco é de elevada qualidade. Ao contrário do que eles próprios cantam, “A máquina NÃO parou“… e não acreditamos que algum dia venha a parar!

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Lukas Graham, de 29 anos é a prova de que não é preciso ser espalhafatoso para ter presença em palco. Apareceu com uma simples t-shirt branca e calças de ganga para cativar o público que esperava ansiosamente pelos Scorpions. Apaixonado pelas vistas, até brincou pelo facto de quem recebe é quem tem as melhores vistas… referindo-se ao facto do público pagar um bilhete para estar de costas para um por do sol magnífico e uma vista encantadora para a margem norte do Rio Douro. Com um estilo de “puto rebelde”, o “menino do coro” como nos fez lembrar, assumiu uma postura puramente de Entertainer. Qual Marco Paulo, passou o concerto todo a balançar o microfone de forma acrobática.

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O grande momento chega e Vila Nova de Gaia revela-se uma província germânica. Todos conhecem os Scorpions. E mesmo os que não tem idade para tal, trazem os ensinamentos de casa, dos pais e outros familiares que os educaram a apreciar música de qualidade. Quanto aos músicos… esses já “morreram” várias vezes e, sempre que ressuscitam, calam as bocas dos mais críticos. Não são novos, não estão na flor da idade, mas acreditamos que muitos músicos de “pelo na benta” não conseguiriam aguentar tanto tempo em cima do palco àquele ritmo. São 50 anos de muita música. Têm mais anos de experiência do que muitos de nós (que estamos a ler este artigo) tem de idade. Aprendamos com os mais velhos. As (aproximadamente) duas horas de concerto foram vividas de uma forma frenética. Talvez Mikkey Dee (baterista) seja de outro mundo… só assim se explica como foi único, em todo o concerto, que nunca saiu de palco, sempre com a mesma força.

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Diretamente de Évora para o Marés Vivas, os Átoa estiveram no Palco Santa Casa.” Átoa” pode ter sido a forma como iniciaram, mas não foi essa a postura que tiveram em cima do palco. Com alguns temas sobejamente conhecidos, lembraram outros tempos de juventude. De D’Zrt (tema dos Morangos com Açúcar) a uma versão adaptada de “Põe a Mão no Ar“, todos aderiram à boa onda dos “miúdos“. Com uma (santa) casa bem composta, foram os últimos a atuar no palco secundário e abriram o apetite para os nomes mais sonantes.

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O dia era de Sting, mas foi o seu filho Joe Sumner o primeiro a pisar o Palco MEO. Enveredando apenas uma guitarra elétrica, trouxe recordações antigas a quem é(ra) fã dos Police. Contrariamente ao seu pai, Joe Sumner toca guitarra e não baixo, mas as semelhanças físicas e vocais são tão grandes que é impossível falar de um sem que o outro entre no tema. Musicalmente, Joe Sumner tem um registo bastante diferente de Sting. Um concerto totalmente a solo, apenas à guitarra, não foi a melhor forma de abrir o festival. O Palco MEO tinha já uma pequena multidão que aguardava pelo momento alto da noite e instaurava-se uma certa desilusão a cada tema que tocava. É que o tipo de música apresentado não ia de encontro à disposição de quem esperava pela versão mais velha do artista.

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Quem vê um concerto de Miguel Araújo, sabe com o que pode contar. A jogar em casa, o jovem saudosista dos velhos ícones da Cidade do Porto trouxe uma mala cheia de surpresas. Por entre os velhos temas de referência (e de sucesso) que compõem o seu portefólio musical, lá foi apresentando uma ou outra música do seu trabalho mais recente. “Axl Rose” é um dos temas que fez questão de nos mostrar, bem com projetar o videoclip que será lançado em breve. Para quem não conhece. “Axl Rose era um senhor magrinho que está dentro de um mais gordo que anda agora aí pelos palcos” disse, arrancando a maior gargalhada da noite. O palco revelava-se pequeno para a quantidade, e qualidade, de músicos que o acompanharam. Contudo, cantou “Anda Comigo Ver os Aviões” totalmente sozinho. Não sabemos se para mostrar ao artista anterior que sozinho também se pode dar espetáculo, mas o certo é que, sozinho ou acompanhado, o público estava do seu lado.

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Quem foi à Praia do Cabedelo, sabia bem o que queria ver. Já com notórias marcas do tempo, Gordon Matthew Thomas Sumner – Sting, para os amigos – reviveu grande parte daquelas que foram, são e serão as suas melhores músicas. Joe Sumner fazia a sua segunda atuação do dia, agora como membro do coro, mas estava provado que era o seu pai que tinha o protagonismo. Sting marcou uma geração (mesmo ainda enquanto líder dos Police) que fez questão de esgotar a lotação do recinto. Aliás, a qualidade de artistas como este são uma das razões pela qual o festival MEO Marés Vivas tenha de encontrar uma nova casa..

Voltando ao concerto, e sem ter tido um grande impacto enquanto espetáculo de entretenimento, pouco mais há a dizer. Todos os adjetivos que engrandeçam esta atuação ficam aquém da realidade. Foi sem dúvida uma excelente noite, memorável e provavelmente uma oportunidade única para ver este sir da música.

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A noite estava ganha. Depois da atuação do cabeça de cartaz, apenas faltava conhecer a amiga da minha mulherSeu Jorge entrou muito bem e contou-nos até a história de uma burguesinha… Só que depois… abrandou. O público começou a dispersar e acabou mesmo por sair em grande número. O concerto de Seu Jorge correu dentro do normal esperado e não fosse o tardio da hora e o facto de ser domingo, talvez o público se tivesse mantido.

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